O MRI realizou, nesta última terça-feira (14/07), a Assembléia Extraordinária com a Eletrosul Centrais Elétricas, que havia ficado decidida na reunião do movimento com o presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto. O evento contou com a presença do gerente de patrimônio e meio ambiente na empresa, Martin Carlos Resener. Ele assinou com os coordenadores do MRI o Protocolo de Intenções, que inclui todas as conquistas do MRI para os atingidos pela PCH João Borges.
Os principais pontos do protocolo dizem respeito à reclassificação das terras em A, B e C, (diferente das sete classes propostas anteriormente pela empresa); ao valor de indenização oferecida a cada tipo de terra, que teve um acréscimo significativo; à destinação da madeira a ser retirada da área de reservatório e à nova faixa de Área de Preservação Permanente (APP), a ser indenizada nos mesmos critérios do restante da propriedade.
O protocolo é o primeiro passo para que se concretize um termo de acordo definitivo que, segundo explicou Martin, seria “praticamente um contrato, que tem conotação jurídica muito forte”. “Definindo as coisas maiores, que é o que pega nas desapropriações, nas indenizações, o resto é questão de vírgula, de se acertar as vírgulas. Então acredito que a gente ta dando um grande passo sim, pra consolidar o acordo definitivo futuramente”.
Cauteloso, o gerente de patrimônio e meio ambiente na empresa, Martin Resener, acrescentou aos termos do Protocolo uma série de condicionantes para que ele se concretize. A obtenção das licenças ambientais, o sucesso das licitações das obras, a dotação orçamentária, visto que a Eletrosul é uma empresa federal, a aprovação das obras pela Eletrobrás, a aprovação da diretoria executiva da Eletrosul , que segundo Martin é um trâmite burocrático, e finalmente a aprovação dos termos pelo Conselho de Administração da empresa foram citadas pelo gerente como as condições para que se cumpra o que foi assinado durante a assembléia extraordinária.
Mesmo com tantas condições, os participantes do evento saíram otimistas com os avanços conseguidos pelo Movimento de Redução dos Impactos – MRI . A engenheira agrônoma Katja Goulart, que esteve no evento representando o prefeito de Lages, Renato Nunes, afirmou que o trabalho do movimento é de bastante relevância para o momento pelo qual passa a Serra Catarinense. “Nesse momento é importante oferecer esse aporte técnico a essas famílias pra que elas não se sintam prejudicadas ou exploradas, elas precisam realmente ter compensações, não só pelas terras que vão ser inundadas, mas pela sua cultura, sua origem”.
Para o produtor de maçãs João Vieira de Camargo, a questão das barragens tem sido muito bem conduzida pelo movimento. “Claro que nós ficamos tristes com a chegada do lago, mas nossos direitos têm sido muito bem defendidos diante da empresa pelo MRI, estou satisfeito com os resultados”. Ele e outras dezenas de atingidos pela PCH João Borges, acompanhados de suas famílias, lotaram a sala da Secretaria Municipal de Educação de São José do Cerrito. Autoridades daquele município, Campo Belo do Sul e Lages, ocuparam os assentos de honra para ouvir a leitura do Protocolo de Intenções entre o movimento e a empresa.
A assinatura do documento foi celebrada com uma janta de confraternização no salão paroquial de São José do Cerrito, com direito à exposição de produtos da Associação de Artesãos do município, presidida por Jair Correia de Oliveira, que também integra a comissão de negociação do MRI pela PCH João Borges. O jantar foi patrocinado pela Câmara Municipal de Vereadores de São José do Cerrito e pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município.
Texto e Fotos: Fernanda Martins - MRI